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Everything That Rises Must Converge

“Por detrás do jornal, Julian estava a retirar-se para o compartimento interior da sua mente onde passava a maior parte do tempo. Era uma espécie de bolha na qual ele se instalava quando não suportava tomar parte no que se passava à sua volta. A partir daí ele podia observar e julgar, mas, dentro dele, estava a salvo de qualquer tipo de penetração do exterior. Era o único sítio onde se sentia livre da idiotice geral dos seus semelhantes. A mãe nunca lá tinha entrado – mas, a partir dele, conseguia vê-la com absoluta claridade.

(…)

O que ela queria dizer quando afirmava que vencera era que tinha conseguido educá-lo e enviá-lo para a universidade, e que o resultado era tão positivo – ele era bem parecido (os dentes dela tinham ficado com cáries para que os dele pudessem ser endireitados), inteligente (ele tinha consciência de que era demasiado inteligente para ter sucesso), e tinha um futuro à sua frente (claro que não havia futuro nenhum à sua frente). A mãe desculpava-lhe a melancolia justificando-a com o facto de ele estar ainda a crescer, e com as suas ideias radicais que derivavam da falta de experiência prática. Ela dizia que ele ainda não sabia nada sobre a «vida», que ele não tinha sequer entrado no mundo real – quando, na realidade, ele estava tão desencantado com o mundo real como um homem de cinquenta anos.
A maior ironia de tudo isto era, apesar dela, ele ter conseguido sair-se tão bem.”

Flannery O’Connor, Tudo o Que Sobe Deve Convergir, 1965. Cavalo de Ferro (2006), pp 18 e 19.


Comentários

  1. Rita diz:

    uhmmm, falhou-me ali qualquer coisa no código html :\ mas acho que funciona à mesma… :P

    | Responder Publicado 1 year ago


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